Editorial

O Olhar da Cidadania / 1

Numa cidade em que o património histórico é maltratado, dificilmente se compreenderá que no plano de requalificação em curso, não seja feita a demolição do referido edifício, com vista à preservação e valorização do nosso do património histórico e à requalificação da Capela de São Pedro.

As nossas opções editoriais são feitas com base no interesse público e na nossa disponibilidade para o estímulo dos acontecimentos e situações que reputamos importantes na dinâmica de uma sociedade aberta e inclusiva em que o cidadão participa ativamente no debate das questões nacionais.

Estão em curso os trabalhos relativos às obras de requalificação da Marginal 12 de Julho, na Cidade de São Tomé e no âmbito dos referidos trabalhos, na zona da Praia de São Pedro, localiza-se um importante monumento da nacional, a Capela de São Pedro, que possui um formato singular, assemelhando-se a uma canoa com a respectiva vela.

Contudo, observamos que, na década de 90, foi construído, ao lado da capela/monumento, um edifício que compromete significativamente a visibilidade e o destaque do referido monumento. Trata-se do edifício denominado Centro Comunitário dos Pescadores e Palaiês de São Pedro, que há vários anos deixou de cumprir a sua função original de centro comunitário, tendo atualmente o seu espaço sido transformado em uma pequena oficina de reparação de motores de pesca.

A requalificação, enquanto processo de qualificação e melhoria do espaço urbano, não deve apenas visar a estética, mas também a preservação e valorização do nosso património histórico, ambiental e socioeconómico. O património cultural é um dos principais pilares que constituem a identidade nacional de um país, e a sua preservação é uma responsabilidade coletiva, que envolve tanto o poder público quanto a população em geral. A falta de preservação pode resultar na perda da identidade cultural e na descaracterização do legado histórico de um povo.

É nesse contexto que, considerando a importância histórica e cultural da Capela de São Pedro, na nossa perspetiva é necessário que o edifício em questão, construído ao lado da capela, seja demolido, devolvendo à cidade e à Marginal 12 de Julho um dos seus mais emblemáticos monumentos, restituindo-lhe a visibilidade que merece, ao mesmo tempo que promoverá uma maior harmonia com a baía de Ana Chaves, melhorando a paisagem e a identidade visual da região.

Numa cidade em que o património histórico é maltratado, dificilmente se compreenderá que no plano de requalificação em curso, não seja feita a demolição do referido edifício, com vista à preservação e valorização do nosso do património histórico e à requalificação da Capela de São Pedro.