50 Anos de Independência de São Tomé e Príncipe – Uma Reflexão Pessoal e Coletiva
Em 1975, São Tomé e Príncipe ergueu-se como nação livre, após séculos de colonização. Eu nasci três anos antes desse momento histórico, e embora a minha infância tenha sido breve na terra que me viu nascer, carrego comigo a memória afetiva, o cheiro do mar, o calor do povo e a esperança que marcou aquele tempo.
A vida levou-me para longe, como tantos outros filhos da terra. Cresci com uma visão externa do país, acompanhando de longe os seus passos, os seus desafios, as suas conquistas e as suas dores. E mesmo à distância, o amor por São Tomé e Príncipe nunca se apagou. Pelo contrário, cresceu com o tempo, amadureceu com a saudade e fortaleceu-se com o desejo de um dia regressar.
Ouço os testemunhos de quem lá vive, e sei que nem sempre são encorajadores. Há frustrações, há dificuldades, há sonhos adiados. Mas também há resistência, criatividade, juventude pulsante e uma cultura rica que sobrevive e floresce.
Neste marco dos 50 anos de independência, quero prestar homenagem à geração que lutou pela liberdade. Homens e mulheres que sonharam com um país soberano, que acreditaram na dignidade do seu povo e que plantaram as sementes da autodeterminação. A eles, o nosso eterno respeito.
E à nova geração, deixo uma mensagem de fé: o futuro de São Tomé e Príncipe está nas vossas mãos. Não desistam. Transformem a crítica em ação, a dor em arte, a saudade em movimento. O país precisa de vocês — da vossa energia, da vossa visão, da vossa coragem.
Poema: “Ilha de Esperança”
Nasci no ventre da ilha,
antes do grito da liberdade.
Cresci longe, mas nunca ausente,
com o coração preso à saudade.
Vi de fora o tempo passar,
vi promessas e desilusões,
mas também vi o povo a lutar,
com fé nas suas próprias mãos.
Cinquenta anos de história,
de suor, de luta, de chão.
A liberdade é uma memória,
mas também é construção.
À geração que nos deu o nome,
deixo flores de gratidão.
À juventude que hoje sonha,
deixo versos e inspiração.
Que o futuro seja semente,
regada com amor e verdade.
Que São Tomé siga em frente,
com justiça e dignidade.
E quando eu voltar, minha ilha,
que seja para te ver sorrir.
Porque mesmo longe da tua trilha,
nunca deixei de te sentir.
