Espero por Ti São Tomé e Príncipe
Espero por ti
E não tens ouvido a minha voz
Há ruídos no caminho
E nem os murmúrios dos riachos tens ouvido
Ou o cantar dos migrantes rouxinóis
Vibra o Txiloli, O Kiná, o Auto de Floripes
As saias na puíta
ainda pintam de cor e movimento o olhar
Ainda deixa o coração a rufar o assobio
O mar na gravana a uivar, a uivar…
Os lençóis de neblina sobre o pico
cientes de que o sol se esconde, nunca se vai
nuuunca se vai!
E nos lábios da capital o delírio
Próprio da foz onde desaguam todos os rios
Onde estão mães e bebés a (a)creditar
Vai longa a madrugada como o caudal do infinito
Espero por ti e não tem amanhecido
Talvez seja a hora de redefinir o teu destino
De reprogramar-me enquanto filha, à luz do hino
Entender-te melhor, saber-te mais
e
mais respeitar as tuas raízes
Regar-te o tronco e os ramos com afinco
Abraçar-te, abraçar-te, abraçar-te e abraçar-te
Por hoje e pelo amanhã
Tens dado tanto!
O que tens pedido?
Amor, filhos, amor!
Filhos, amor e união! E união!
Não queres filhos maus nem desavindos,
É o que tens pedido, só o que tens pedido!
Esperas por nós!
Por quem esperamos?
Temos de te fazer feliz, de te fazer vibrante
na pujança da tua (ainda) juventude resgatar-te
Reinventar-te em sinfonia, não em grito
Espero por ti, mas tenho pressa
De uma urgência que não cabe num poema
Quero rever-te em arco-íris das frutas no mercado
Nas guelras rubras do voador e do pargo
Nas valsas das andalas ao alto
Na espuma branca do vinho ao alvorecer
Tenho sentido como nos chamas em clamor!
Tens ouvido o quanto eu te chamo?
Quero ver-te em todo o teu esplendor
Nas escolas, nos hospitais, nos escritórios
Quero ver igual o teu brilho, o teu avanço
Quero ver-te tomada
do mais puro e mais fresco calor
na conquista de tudo o que sonhámos!
Neste nosso solo sagrado de Tóni ki Tomé
não podem prosperar plakinis!
As gargalhadas das roupas brancas
em todas as tuas ribeiras a corar
são também anjos a orar
por nós e por ti.
Tens ouvido?
