50 Anos // 50 Vozes

A Voz do Povo

Romana Brandão

Ecoa nas ruas, nas praças, no chão,
a voz que resiste, que grita, que não.
É vento que leveleve sopra a alma ferida,
clamor que não cala, vontade erguida.
É canto nos becos, batuque no asfalto,
sangue nas veias, olhar no alto.
É fome e é luta, é pão e é fé,
é o passo cansado que não cede o pé.
Não fala em coro, mas fala em verdade,
carrega nos ombros a dor da cidade.
É mãe que protesta, é filho que sonha,
é povo que chora e a vida afronta.
Não tem microfone, mas tem multidão,
não pede licença, é revolução.
Na mão, o cartaz; no peito, o brasão:
esperança cravada no coração.
A voz do povo não morre jamais,
é semente no barro, é raiz que dá mais.
É tempo que chega, é sol que renasce,
é o grito do agora que nunca se abate.