50 anos depois: entre o que fomos, o que somos e o que ousamos ser
No dia 12 de Julho de 1975, a República Democrática de São Tomé e Príncipe surgiu no mapa mundial como uma jovem nação livre. Outrora, carregávamos conosco a esperança de um recomeço, uma incansável sede de justiça histórica e um profundo desejo de autodeterminação (o de ser um país independente).
Cinquenta anos depois, celebramos essa data não apenas como um momento histórico, mas como um espelho que precisamos olhar com coragem, para que possamos ver quem fomos, quem somos, e quem ainda podemos ser.
O que fomos: a semente da liberdade
A independência foi o resultado de uma luta silenciosa mas resistente, feita de memórias apagadas e vozes abafadas. Foi a conquista da dignidade. Durante décadas, muitos deram corpo e alma a uma ideia de país que ainda não existia juridicamente, mas que já vivia nos corações. A nossa identidade nacional (Disciplina, Unidade e Trabalho) foi contruída entre plantações e portos, entre o silêncio e a resistência, entre esperança e perda.
O que somos: conquistas e contradições
Hoje, cinquenta anos depois, temos instituições, temos uma constituição, eleições regulares, imprensa ativa, e um povo que não desiste. Somos uma democracia plural, ainda que imperfeita. Temos alguns avanços e retrocessos no sector da saúde, na educação básica, promoção da igualdade de género e combate à pobreza extrema. Contudo, persistem fragilidades estruturais, nomeadamente, dependência externa, desigualdades sociais, corrupção, falta de oportunidade para os jovens e uma economia pouco diversificada.
Não somos um país falhado. Mas também ainda não somos o país que sonhámos em 1975. Somos uma nação em construção permanente, feita de passos à frente e tropeços, de coragem e de cansaço, de fé e de frustração.
O que podemos ser: um futuro com raízes no presente
O futuro de São Tomé e Príncipe não está escrito. Ele será aquilo que formos capazes de imaginar, plenear e executar com responsabilidade coletiva. Precisamos de um novo pacto social, que una gerações, que leve os jovens a acreditar no seu país e a participar na sua transformação.
É urgente apostar na educação de qualidade, na transparência governativa, na justiça como bem comum e numa economia sustentável. Precisamos resgatar o valor do trabalho, fortalecer as instituições e garantir que nínguem fique para trás, nem nas comunidades rurais, nas áreas isoladas, nem nas periferias silenciosas.
A soberania não é apenas um ato político, é um exercício diário de cidadania, de ética, de participação. A independência não foi apenas um evento, deve ser uma prática contínua.
Conclusão
Comemorar 50 anos de independência é mais do que recordar, é um convite à responsabilidade. A história não é um lugar onde se dorme. É um ponto de partida. Que este momento nos sirva para escutar melhor, dialogar com mais abertura e decidir com mais consciência. Porque os próximos 50 anos dependem do que fizermos hoje, com coragem, com verdade e com um compromisso coletivo pelo bem comum.
Feliz independência. Que a nossa voz seja mais do que celebração: que seja construção.
