Os 50 Anos da Independência
Não queria escrever sobre os cinquenta anos da Independência das Ilhas de STP por considerar que volvidos estes anos não encontro grandes avanços a assinalar, acho mesmo que as ilhas no geral estão bem piores.
No dia 12 de Julho de 1975 assisti, em S.Tomé, à proclamação da Independência, com júbilo e enorme esperança de dias melhores para o pequeno povo das ilhas que apesar da pequenez da população tinha mostrado, no passado, que era capaz de enfrentar grandes desafios.
Cinquenta anos passados encontramos uma sociedade pobre onde a grande maioria das pessoas vive em condições completamente inaceitáveis, de valores e costumes totalmente invertidos onde grassa a indisciplina, o desrespeito, a corrupção, o abuso e a violência contra menores e mulheres. Enfim, tudo o que nós condenávamos em 1975.
Quem será o responsável por esta gritante e insustentável situação? A INDEPENDÊNCIA? A DEMOCRAICA instalada nos anos 90?
É evidente que NÃO.
A INDEPENDÊNCIA deu-nos LIBERDADE; A DEMOCRACIA acabou com o monopartidarismo e com economia centralizada.
A RESPONSABILIDADE é sobretudo da elite desta sociedade (uns pela ação outros pela omissão) que não soube governá-la rumo ao desenvolvimento. A maioria dos políticos tratou de se governar em vez de governar as ilhas.
Faltou-nos um líder que nos unisse em torno de grandes causas da jovem nação, que deveriam ter sido a criação de riqueza nacional, que gerasse emprego a uma boa parte da população, criação de riqueza baseada nas potencialidades do país, nomeadamente a prestação de serviços, o turismo em particular, de modo a eliminar a dependência da ajuda internacional. Um líder que gostando das ilhas nos desse razões para termos orgulho nacional.
EM SUMA FOMOS MAL GOVERNADOS AO LONGO DESTES CINQUENTA ANOS.
No entanto considero que ainda vamos a tempo, que ainda é possível inverter a situação, embora seja muito mais difícil atendendo o nível de deterioração e o estado actual da nação.
Ainda é possível repor a autoridade do estado, reformar a justiça e a educação, criar bases para o crescimento da economia, criar condições para atrair o capital privado internacional bem como o regresso de jovens quadros nacionais que vivem actualmente no estrangeiro.
Ainda é possível restituir, sobretudo aos mais jóvens, a esperança de um futuro melhor, com mais e melhor emprego, com melhor saúde e habitação condigna para a maioria da população.
Acredito que ainda é possível a reinvenção de uma nação com base na acção das gentes destas maravilhosas ilhas. Precisamos de jovens que possam liderar este processo.
E quem sabe venha a surgir um líder nas próximas décadas e nos restitua os desígnios da INDEPENDÊNCIA E DA DEMOCRACIA.
