A Urgência de um Compromisso Intergeracional
A necessidade de uma escuta ativa e verdadeira da juventude. Não como apêndice de um discurso político, mas como protagonistas de uma nova etapa de desenvolvimento.
Neste marco dos 50 anos de independência de São Tomé e Príncipe, é inevitável refletir sobre as conquistas alcançadas, os desafios que persistem e, acima de tudo, o futuro que desejamos construir juntos.
Como cidadão que cresceu e trabalha profundamente envolvido em estruturas nacionais e internacionais, e como alguém com um espírito reformista, tenho observado com tristeza a contínua marginalização da juventude nos espaços de decisão. Muitos dizem que os jovens devem “encontrar o seu caminho”. Porém, como podem fazê-lo se não lhes abrimos as portas? Se não lhes damos acesso à experiência, aos meios e à orientação necessária para, de facto, trilhar esse caminho com eficácia e esperança?
São Tomé e Príncipe é um país jovem. A nossa pirâmide etária reflete isso, mas as nossas políticas e práticas ainda não o acompanham. É preciso mais do que programas pontuais. É urgente implementar políticas públicas estruturantes e permanentes que deem voz e poder à juventude. O Parlamento Infantojuvenil, por exemplo, é uma iniciativa louvável, mas ainda invisível para muitos. Os partidos políticos carecem de plataformas juvenis estruturadas e ativas — salvo honrosas exceções.
O que falta, talvez, não seja talento ou vontade. Temos jovens bem formados, fruto de bolsas de estudo e investimentos em educação, mas não existe um sistema claro de identificação e integração dessas competências na administração pública ou no setor privado. Perdemos, assim, um capital humano valioso em nome da inércia e da ausência de visão estratégica.
Ao celebrarmos esta data emblemática, gostaria de salientar a necessidade de uma escuta ativa e verdadeira da juventude. Não como apêndice de um discurso político, mas como protagonistas de uma nova etapa de desenvolvimento. Os próximos 50 anos. Que os próximos 50 anos sejam marcados pela coragem de mudar, reformar, inovar, pelo diálogo honesto entre gerações e pela inclusão concreta de quem mais vai sofrer as consequências das políticas de hoje – os jovens.
É assim que se começa a definir o rumo do nosso país.
