Falsa Independência
Aprisionados na teia da convivência
Fugindo da colónia onde havia escravidão
A alma clama por genuína existência
Longe das amarras da falsa perfeição
Em 1975 quando começou aquela rebelião
E o povo achou-se digno da libertação
Conquistaram a independência e começaram a tão dita e esperada governação
As coisas saíram dos eixos
Já imaginam o desfecho
Pois o povo pequeno
É pleno e sereno
Sendo o único que sofre
Com fome não some
Por falta de água e luz
A cruz é pesada e nós bem sabemos
Que a realidade é desgastante
A independência total está distante
O que iremos fazer?
Se não querem aprender
A viver e a esquecer
A maldade que esta em nós e nos corrói
Estragamos o pais
50 anos e só afundamos
Oque se passa São Tomé e Príncipe?
Jamais serei capaz de olhar para atrás
E sentir orgulho da sociedade que fundamos
-Matamos! –
O falso eu se ergue em soberba altivez
Desprezando laços que o prendem à ilusão
Mas na solitude encontra a crua nudez
Da dependência disfarçada em paixão
Oh, quão frágil é a falsa independência
Máscara que oculta a verdadeira essência
Em meio ao eco da própria resistência
Busca se a liberdade com genuína consciência
Mas a esperança é a última a morrer
Por isso vamos correr
Para ver o nosso país vencer
E que possamos viver
Na real independência
Sem tem que fingir demência!
Alice Pessoa
