O Recado de Ontem
A luz do sol invade os salões do Palácio,
refletindo um luxo que contrasta
com o aspeto desbotado da nossa bandeira.
Cuja cor vai ficando mais gasta
à medida que o desespero se alastra
e faz aumentar a fileira
para subir no avião e escapar da sorte madrasta.
Entre a euforia dos que vão e a agonia dos que ficam,
corre um rio de incertezas, apostas e ilusões.
Onde mesmo sem saber nadar, muitos mergulham
e são arrastados para o fundo pelo peso dos seus sonhos.
Imagem triste e profética
do que pode vir a ser o nosso legado.
Tão distante e tão distinto
de tudo que foi sonhado, almejado e esperançado na Gravana de 75.
Mas antes que nos afoguemos nas lágrimas de lamento
e que as vigas que sustentam a Nação sejam implodidas,
escutaremos nas ondas e no vento
As vozes dos ancestrais, trazidas de outras vidas.
Atravessando a parede do tempo
para nos afastar do tormento
e curar as nossas feridas.
Assim,
amparados pela força do passado
e pela memória que nos energiza,
Seremos guiados pelo recado
eternizado nos versos da nossa maior poetisa:
“É nosso o sagrado solo da terra!”
Fertilizado com a dor e o sangue de Amador
É belo o futuro que nos espera
no paraíso que Deus desenhou na linha do Equador.
Sigamos acreditando.
