50 Anos // 50 Vozes

Entre a Celebração e a Luta por uma Verdadeira Libertação

Deodato Capela

Leve-leve, chegamos aos 50 anos livres. Mas será que somos verdadeiramente livres?

A independência política conquistada em 1975 foi um marco histórico, mas meio século depois, ainda carregamos as correntes da dependência económica, da má governação e da corrupção que minam o nosso futuro. Enquanto o povo sãotomense luta contra a pobreza e a falta de oportunidades, uma elite política e económica aproveita-se dos recursos públicos como se fossem propriedade privada.

A promessa do petróleo surge como uma tábua de salvação, mas sem transparência e integridade, esse recurso pode transformar-se numa nova maldição. Já vimos esse filme noutros países africanos: riquezas naturais exploradas, mas o povo continua na miséria. Quem garante que em São Tomé e Príncipe será diferente?

A corrupção não é um acidente, é um sistema. Desde os pequenos subornos no dia a dia até aos grandes desvios de fundos públicos, ela corrói a confiança nas instituições. Quantos projetos ficaram pelo caminho? Quantos milhões desapareceram em contratos obscuros que todos assistimos? Quantos hospitais, escolas e estradas deixaram de ser construídos porque alguém desviou o financiamento?

Mas há esperança. A esperança está na juventude que não se conforma, nos poucos jornalistas que ainda denunciam, nos cidadãos que exigem prestação de contas. A esperança está na construção de uma sociedade que não apenas critique, mas que aja – através do voto consciente sem o “banho”, da pressão social e da participação cívica.

Os próximos 50 anos não podem ser iguais aos anteriores. Ou assumimos o controle do nosso destino, ou continuaremos reféns de políticos que governam para si próprios. A verdadeira independência só virá quando o povo tiver poder real sobre as decisões que moldam o país.

Chega de “leve-leve”. É hora de luta.
50 Anos de Independência